sábado, 10 de novembro de 2007

Breve Diálogo



Breve Diálogo com Leonardo Boff

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
— Santidade, qual é a melhor religião?

Esperava que ele dissesse: "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos — o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta — e afirmou:

— A melhor religião é aquela que te faz melhor.

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
— O que me faz melhor?
— Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...


Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

(Citado no livro Conselhos Espirituais, Verus Editora)

3 comentários:

Carol Timm disse...

Marilac,

Ainda estou refletindo sobre essa grande pergunta que obteve tão maravilhosa resposta.

Os iluminados devem realmente mostrar o caminho, e ainda mostrar que há mais de um deles.

Beijos,
Carol

Saramar disse...

Ceramente, esta foi uma das maiores lições que aprendi.
Eu, que tão arredia sou quando se fala em religião, entendi perfeitamente a grandeza destas palavras.
Obrigada.

beijos

Palavras de Osho disse...

A religião é verdadeira se ela criar o poeta em você. Se ela matar o poeta e criar o pretenso santo, ela não é religião: é patologia, um tipo de neurose vestida com termos religiosos.

A verdadeira religião sempre libera a poesia, o amor, a arte, a criatividade em você, ela o deixa mais sensível. Você pulsa mais, seu coração tem uma nova batida, sua vida não é mais um fenômeno monótono e trivial. Ela é uma constante surpresa, cada momento abre novos mistérios.

A vida é um tesouro inesgotável, mas somente o coração do poeta pode conhecê-la. Não acredito em filosofia, não acredito em teologia, mas acredito na poesia.

Osho, em "Osho Todos os Dias - 365 Meditações Diárias"