

Assisti recentemente e me emocionei muito com esse belo filme italiano “As Chaves de Casa”, de Gianni Amélio, inspirado no romance “Nati due volte”, de Giuseppe Pontiggia, que narra, com apuro técnico e atuações magistrais, a tentativa de reaproximação de um jovem pai do filho excepcional, de 15 anos de idade, que ele abandonara desde que nascera, trazendo à reflexão a questão do compromisso do indivíduo para com a família e o respeito dele para consigo próprio.
ANDREA ROSSI, que faz sua estréia no cinema como o adolescente Paolo, tem problemas similares aos de Andrea Pontiggia. Ainda que não se pareça com ele fisicamente, têm a mesma ingenuidade, a mesma alegria confiante e a mesma joie de vivre. A filmagem foi algo muito especial graças a ele. Andrea influenciou de maneira muito positiva a rodagem, com seu modo irônico de dissolver cada problema que surgia, grande ou pequeno, inerente à mecânica do cinema.
KIM ROSSI STUART interpreta o pai, Gianni, um homem jovem e inseguro, que concebe a condição de seu filho como uma condenação, como o buraco negro de sua existência. A mãe de Paolo morreu ao dar a luz e Gianni fugiu antes de encontrar como filho, nascido com alguns problemas. Encontrar Paolo depois de 15 anos, quando o pedem que o acompanhe a um hospital de Berlim, faz com que o medo tome conta de Gianni: acha que é incapaz de enfrentar a situação.
O filme narra esse mútuo descobrimento, amor, ressentimento e frágeis esperanças. A certa altura do filme , Paolo e o pai estão enamorados um do outro. O menino então tira do bolso as chaves que usa para abrir as portas da casa onde vive com seus tios e pergunta: “Poderei entrar em sua casa com minhas chaves”?
O pai responde que sim, pois após aquela viagem o filho já entrara em seu coração.
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