domingo, 27 de maio de 2012

Texto do Fabricio Carpinejar

FILA DO AMOR


Quem amamos sempre deixamos para depois. Porque é da família e vai entender a urgência de nosso trabalho.

Um minutinho, meu filho./ Já te ligo, amor./ Agora estou ocupado./ É uma ligação importante.

Só que o filho cresce e para de nos procurar.

Só que o pai morre e não descobrimos o que ele queria.

Só que a esposa se cansa da solidão e pede o divórcio.

Reclamamos da fila da Previdência, da fila do SUS, da fila dos bancos.
Mas os familiares vivem em fila para serem atendidos dentro de casa.

É a fila do amor que não anda. Do amor que pensa que terá tempo em seguida. O tempo adiante será o mesmo tempo de agora. A mesma falta de tempo.

Filhos pequenos são mendigos em seus quartos, esperando que você desligue o telefone, que você preste atenção.

Maltratamos quem a gente gosta com adiamentos e desculpas. A vida passa e a promessa de conversa não se realiza. E não sabemos o que o nosso menino estudou, o que a mulher criou no trabalho, o que a mãe precisava comentar sobre seu passado.

Abandonamos a família porque desejamos ter calma. Ter folga. Ter férias.
Melhor falar nervoso do que não falar. Melhor um pouquinho junto do que nada. Melhor o rascunho do que a idealização.

Interrompa suas atividades para ouvir a família. Mesmo que seja rápido. Mesmo que seja de qualquer jeito.

A conversa é do momento, a conversa é um momento.

É possível desistir de dizer. É possível perder a vontade.

Não existe como recuperar lembranças.

Cuide da família. Agora!

Fabrício Carpinejar
http://carpinejar.blogspot.com.br/
Post de 25/05/2012

2 comentários:

Antonio Rubilar B. Valente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Antonio Rubilar B. Valente disse...

Amiga Marilac!!!
Entrei na fila, mas para vir aqui e te parabenizar pelo seu niver, hoje,dia 3 de junho.Vc é geminiana como eu, faço dia 6 próximo.
Desejo a maior felicidade do mundo, parabéns, fique com Deus.Sempre!Bjs, Rubi.