segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Diante das águas

"Diante das águas que passam em silêncio por mim,levando folhas e ramos, dando voltas e fazendo desenhos em sua superfície, descubro que estou vendo um rio pela primeira vez na vida. O que já conhecia era alguma coisa que se aprende nos livros, que tem um nome do qual se fala com respeito ou indiferença, uma paisagem que, de tanto ver, já não se entende. O que descubro agora é um milagre sem nome, uma estrada viva e amorosa onde descanso meus olhos e banho meu coração,"

O som do silêncio - Luiz Carlos Lisboa


Fotografia : Serra do Mar - Hay

6 comentários:

Hay disse...

Mari, Querida!

Não sei se palavras tão lindas e profundas merecem essa foto, posso apenas dizer que eu como testemunha desse lindo rio de pedras, sombras, sons e águas ainda tão limpas, com toda certeza nos sentimos orgulhosos pelas lindas palavras dedicadas a ele... Diante das águas...

Com Carinho,
Hay

Deixo um poema que sempre admirei...
de Antonio Hernández, em MARE NOSTRUM (2004)
Tradução:
Luís Filipe Sarmento

O rio

COMO a pena ou como o cantar
existia desde sempre. Andava já
na montanha como um menino a que ninguém
presta atenção. Ao princípio,
levava nas suas águas toda a luz doentia.
Depois, ao fundir-se com tanta primavera,
Tornou-se luminoso como um conto.
Corria todas as tardes de maneira
diferente e, ao amparo do monte,
conseguia passar entre as pedras,
sobre a terra dura e sobre os obstáculos.
Mas estava tudo tão longe...
o mar, aquele mar sonhado com flores,
com sinos e com a aldeia agitada,
estava tão longe...
Os penedos eram duros,
e por mais voltas que fizessem
as nossas águas, por mais rodeios que fizessem
—o nosso amor, o nosso sonho, a nossa
razão de viver— perdiam por vezes
como o homem que começa a não entender
o melhor de tudo: a fé.

E há
alguns dias não estava como antes,
que com tanto alpechim e águas impuras
o rio turvava-se, perdia-se por si
como se perde uma criança com o seu jogo
mal começa. Contudo,
já tinha tantas horas de angústia,
de união, de entrega, que era impossível
separar-lhe uma gota e tornava-se
mais largo e duradoiro. Como o menino,
acabava por vencer. Era simples.
Se ao camponês o granizo lhe tira
a colheita, a raiva dá-lhe forças
para esperar uma outra. Se a um pássaro
o outono lhe rouba a ilusão, a primavera
devolve-lhe um ninho. Se uma sombra se vai,
uma luz nos chega. E aquilo
era o mesmo. O mesmo. Por mais
águas sujas que fossem para ele
numa tarde qualquer chegaria ao mar.

Rose disse...

As palavras eu conheço, Mari...
A imagem... linda imagem... é do nosso querido e sumidíssimo Hay! ( saudades...)
Tudo muito delicado neste post! Como seu coração, querida!
Beijos de carinho e de amizade,
Rose.

Café com Bolo disse...

Lindo post! Linda mensagem...
Obrigada por suas palavras lá no meu canto...
Beijos

(Carlos Soares) disse...

Legal. Dentro de nós o sangue corre como um rio também, em emoções, em poesia, em paixões... tudo direto de/para o coração.

Irmão Sol, Irmã Lua disse...

Muito BELO de fato, Mari!
Palavras... Imagem...
Nos sensibilizam o coração!
Um beijo do amigo,
Benja.

Espaço Âmbar disse...

Oi Mari!

Lindo post! Aqui no Rio está um calor terrível. E aí?
Como está seu pai? Já se recuperou plenamente?
Vc tem falado com Fabiano?
BJs.